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Vereador dinâmico e inovador que prioriza trabalho transparente, com mediação e sustentabilidade. O mandato é embasado em argumentos e pareceres técnicos. Visa atender demandas coletivas da cidade de Campo Grande - MS.

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Inaugurações midiáticas/simbólicas com fins eleitoreiros



18/07/2016

 

*Eduardo Romero

 

A expectativa da comunidade com inauguração de obra pública, especialmente Unidade de Pronto Atendimento (UPA) é realmente grande levando em conta o inchaço de demandas na área da saúde. Quem vai a um prédio destes não quer fazer visita, familiarizar com a estrutura ou apenas conhecer. Quando o paciente vai a uma unidade de saúde quer atendimento, suspeita de algo grave com seu organismo, quer viver.

 

Moradia é outro gargalo. De capital sem favela, Campo Grande viu multiplicar comunidades irregulares pelos bairros. O recente capítulo da Cidade de Deus se transformar em quatro favelas não é para ser esquecido. É prova da falta de planejamento do gestor que requereu na Justiça a área, mas não pensou para onde levar as famílias. O resultado: gente amontoada em quatro cantos, longe do trabalho, escola, passando frio, barraco de lona levantando na ventania.

 

No dia 1º de julho deste ano, o atual prefeito da Capital (no cargo sob liminar) anunciou inauguração de várias obras. Vale lembrar que era data limite para pré-candidatos ao pleito deste ano participar de inauguração pública de obras. Um carnaval foi arquitetado, gerou expectativa e um sentimento de: até que enfim.

 

Mais uma vez a frustração. A tão aguardada inauguração da UPA Santa Mônica – Já com atraso no cronograma de entrega - era simbólica. Apenas motivo de festa no último dia permitido para aparição em inauguração de obra pública, conforme calendário eleitoral. A mídia estava lá e noticiou como inaugurada, mas no outro dia a verdade: foi um engodo e uma forma de cavar holofotes. Até que funcionou num primeiro momento, mas depois a constatação da cortina de fumaça.

 

Não se apaga um desarranjo administrativo com futura entrega de casas, ainda mais obra incompleta como ocorreu no Bairro Vespasiano Martins, um dos quatro locais de transferência da Cidade de Deus. Casas inacabadas para as famílias no convencimento de que era melhor pular pra dentro logo do que ficar no barraco. Se a prefeitura tivesse planejado, nem pro barraco as famílias teriam ido. Primeiro não foi planejado, depois projeto falho foi enviado para a Câmara, que exigiu lisura na documentação que poderia incorrer em erros. Um destempero organizacional do gestor municipal que prolongou sofrimentos. Uma administração desorganizada.

 

Outros três pontos de depósito de gente ainda esperam por solução da prefeitura. E cadê a responsabilidade social? Banheiros químicos que serviam à multidão foram reduzidos para economizar e com a pressão popular recolocados. Que tal economizar com inauguração festiva e midiática? Bem mais prudente e humano.

 

E não pense o gestor municipal que resolvendo a questão dos removidos da Cidade de Deus o tema favela vai estar solucionado. A Cidade dos Anjos cada vez mais incha de gente. Outro cinturão de pobreza está enraizando perto do aterro municipal de entulhos, no Jardim Noroeste. Só pra citar dois, entre muitos outros locais de mazelas. Em 2005 não tínhamos notícia de favela. Hoje, conforme o IBGE são sete.

 

Vale lembrar, senhor gestor, que tem na Capital uma lei da minha autoria que proíbe inauguração de obras públicas incompletas ou ainda que concluídas não estejam em atendimento ao fim que se destinam isto desde a estrutura física quanto de pessoal e equipamentos. Vale lembrar ainda que as pessoas querem e merecem ser tratadas com respeito e verdade.

 

*Eduardo Romero é vereador por Campo Grande, jornalista, mestre em comunicação.

 
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